sexta-feira, março 31, 2006

Grãos de Areia


Escolho andar nas ruas
Cujas pedras se fazem sentir e,
Os pés descalços, apalpam
Os grãos de areia
Que tornam o andar lento e prazeroso.

Grãos de areia tomam os pés.

O vento que acolhe o corpo,
Não pede licença para sussurrar aos ouvidos,
O som do nu que me toma a alma e espalha a areia.

Com os olhos fechados, pausa.

O cheiro do vento
De braços abertos,
O vôo da liberdade
Que toma minha mente e
Se faz Onipresente,
Desnuda a alma nas imagens misturadas que os grãos de areia
Trazem das solas dos pés ao coração.
C.J.Maciel


NOTA: Todas as poesias aqui apresentadas estão devidamente registradas em cartório no nome do autor C.J.Maciel. Por tanto, toda e qualquer reprodução sem a devida autorização do referido autor sofrerá as sanções penais previstas em Lei.

Segredos


Mar,
Chama de espumas claras,
Ressumar da superfície calma,
Tesouros escondidos que ardem no fundo do peito, espalhas.

As ondas embalam
Aos seus ritmos, o coração esgurido,
Que canta segredos ao seu mar
E, secando-se, se revela marisma.

Lamaçal salino que cristaliza segredos,
Conserva-os em pedras,
Salinas sagradas secretas que se evaporam com o tempo junto ao vento,
Vão às nuvens e se mostram,
Retornam ao mar e se escondem.

As ondas deste mar gritam,
A Nona sinfonia marítima, algum segredo, revela.
Mar de pedras cortantes,
Mar salino de segredos que matam,
Tensão dos segredos que, aos poucos, são descobertos.

Antes mar tranqüilo, hoje mar revolto.
Toda tempestade vem para trazer estrondos,
Ressumar o marasmo dos segredos,
Re-formar o fundo do mar quedo,
Dar-lhe nova forma,
E revelar a dor de outras belezas impensáveis.

O mar chora
Quando as lágrimas quebram as pedras salinas secretas.
Vagarosamente, quebram segredos cristalizados,
Mostram o quinhão da verdade: o secreto,
O Escandir dos segredos que guardava.

Eterno ressumar da vida:
Escansão dos segredos que, um dia, não mais estarão escondidos.
C.J.Maciel

NOTA: Todas as poesias aqui apresentadas estão devidamente registradas em cartório no nome do autor C.J.Maciel. Por tanto, toda e qualquer reprodução sem a devida autorização do referido autor sofrerá as sanções penais previstas em Lei.

Lírica d’alma


A calma d’alma,
Da mão, a palma,
No sepulcro, a calma,
De quem amou amar.

O sono eterno e certo,
Que aflora sendo calmo,
Não diz quem vai embora,
Só toma pelas mãos e leva,
Quem deseja mais, ficar.

Ai.
Quem me dera ter vida longa e certa,
Pra aprender da vida, a arte,
Transformar o bruto,
Amor de mártir,
Lapidar o coração.

Quero d’alma, o grito,
Eis a palma das mãos feridas,
Do furor da solidão.

Engana minh’alma, engana.
O Feitiço, o terror e o medo do amor me tomam,
Trazem segredos,
Que, de todo, não se querem revelar.

Infâmia da calma d’alma,
É cigana a minha alma,
Nos caminhos da alma calma, guie-me!
Ensines-me, minh’alma, a amar.
C.J.Maciel

NOTA: Todas as poesias aqui apresentadas estão devidamente registradas em cartório no nome do autor C.J.Maciel. Por tanto, toda e qualquer reprodução sem a devida autorização do referido autor sofrerá as sanções penais previstas em Lei.

quinta-feira, março 30, 2006

Dolores


Não chores,
Há dores suportáveis.
Suportáveis, suportáveis.
Momentos de perjúrio que se limitam ao sangue das lágrimas.

Há dores.
Dolores, sangras e suportas o prazer do choro conseqüente,
Do Absinto que se regenera e refaz o prazer do choro.

Dolores choras,
Dolores sangras,
Na alma,
Dolores mora.
C.J. Maciel
NOTA: Todas as poesias aqui apresentadas estão devidamente registradas em cartório no nome do autor C.J.Maciel. Por tanto, toda e qualquer reprodução sem a devida autorização do referido autor sofrerá as sanções penais previstas em Lei.

terça-feira, março 28, 2006

Síncope


Se na noite há paz, prefiro o dia.
Pois, o oposto dela me atrai.
Na noite, revela-se o que se esconde às luzes,
E é no agito que se faz achar o que jaz anoitecido nos sepulcros da Hipocrisia.
C.J.Maciel

Trans-Lucidez


Hoje, à luz que brilha,
À textura dos teus olhos, brilha.
Distante, trazes a luz forte e
Alicias os desejos,
Alcanças as carícias escondidas de um coração distante,
Só. À luz que brilha, trazes,
Salgas a comida que sacia minha fome, fomentas meus desejos;
Alivias a dor; dor do Só e
Trazes a luz que brilha sem ofuscar meus olhos,
Que descançam sob o mar de tua pele,
Às águas tranqüílas.
C.J.Maciel